Historial - Parte 2 – Refundação – Associação de Estudantes da Escola Superior Agrária de Coimbra (núcleo de rugby)

   Parte 2 – Refundação – Associação de Estudantes da Escola Superior Agrária de Coimbra (núcleo de rugby)

O Rugby voltaria a fazer parte da vida desta Escola Superior Agrária quando, no ano de 1991/92, um grupo de entusiastas praticantes de Rugby da AAC (caloiros da Agrária) e outros sem vínculo à modalidade, essencialmente amigos e colegas de curso, lançavam-se à obra da refundação do Rugby na Agrária. Preciosa então, foi a ajuda do conhecido Prof. “Toni” Cabral Fernandes, e dos primeiros obreiros, dos quais nunca é de mais realçar os seus nomes, Alberto Bejo, Gonçalo Costa, Luís Monteiro da Costa, João Alberty, Luis Maia, João Miguel Silva, Luís Carreira, Manuel Portugal, Pedro Aníbal, Rui França, Ricardo Leão entre tantos outros não menos entusiastas ou importantes.

  Nessa longínqua época foi criado o actual Núcleo de Rugby da Associação de Estudantes da Escola Superior Agrária de Coimbra, foram adquiridos equipamentos e as primeiras bolas e deu-se início à participação em torneios abertos, apesar das inúmeras dificuldades de treinar sem local para o efeito. Quem se lembra dos treinos na parte de trás do cemitério, no campo pelado do Esperança ou na célebre pastagem da Cidreira?

  Na época 1994/95, foi o ano em que a equipa voltou a estar federada na Federação Portuguesa de Rugby e voltou ao activo nos torneios organizados pela Federação. Agora já tínhamos campo relvado mas, sem iluminação… E as sessões de treino com iluminação holofotes “Toni” e luz de faróis de carros e motos?! Tempos de muita união e espírito de desenrasque para que existissem condições para haver treino de rugby.

  Na época seguinte, 95/96, foi dado um passo de gigante: a entrada no Campeonato Nacional da 2ª divisão, com o treinador Ricardo Leão. Resultado final: muitas dificuldades, muitas lesões, muitas 3as partes, mas... aposta ganha chegámos ao fim da época!

  De 94/95 a 2001/2002, assistiu-se a uma série de equipas masculinas que desenvolveram um Rugby que deixou marcas na história da Agrária e na vida dos Homens que a fizeram. A Agrária lançou atletas para equipas como a Académica, Lousã, Bairrada e Aveiro; efectuou uma memorável deslocação a Valladolid – Espanha; participou em Torneios de Seven´s e Beach Rugby; organizou convívios musicais com os lunáticos Dj´s Melga e Oliveirinha e outras tantas actividades desportivas e lúdicas sempre com qualidade assinalável criando, assim, um verdadeiro espírito de clube de Rugby.

  A qualidade dos atletas das várias equipas da Agrária ao longo dos anos não foram esquecidos pelos Seleccionadores Regionais, e os nossos atletas João Alberty, João Miguel Silva, Ricardo Lapa de Castro e Luís Monteiro da Costa foram presenças assíduas na Selecção Regional Centro/Norte, tendo, mais tarde, também participado nos treinos os atletas Luís Sá, Paulo Bandeira e Diogo Pinheiro.

  Na época de 1999/2000 iniciou-se o Rugby feminino na Agrária, pelas mãos de Bárbara Viana e João Alberty. No primeiro ano viriam logo a participar nos Torneios Nacionais, numa fase muito embrionário do Rugby Feminino Nacional.

  Na época seguinte, 2001/02, após 26 anos de interregno, a Agrária voltou aos títulos Nacionais, ao vencer o Campeonato Nacional Feminino e o Torneio Nacional de Seven´s, pelas mãos do treinador, João Alberty, e de uma equipa composta por excelentes atletas com algumas delas ainda em plena actividade no clube, na transmissão de princípios e conhecimentos às mais novas que começam agora a sua formação no nosso clube.

  No final da época 2001/2002, época em que o Rugby Sénior da Agrária obteve uma qualidade de jogo memorável, para o qual muito contribuíram os técnicos Luís Monteiro da Costa e João Nogueira e os belíssimos atletas daquela equipa, seguiram-se dois anos de interregno de competição da equipa masculina. 

  Inexplicável para muitos, este facto, mas num clube naquela data sem formação era inevitável isso poder acontecer, o desporto é assim mesmo. Numa equipa em que sempre entraram jovens/alunos e saíram homens/Engenheiros e Doutores, o cansaço da espinha dorsal da equipa, as lesões, o receio do espírito competitivo criado nas duas épocas anteriores e a falta de honestidade de alguns, interromperam um esforço colectivo de muitos anos.

  Mas a alma Agrária não adormeceria, e as nossas “meninas” lutavam por aqueles que viraram costas à sua camisola, e sagravam-se Campeãs Nacionais e Vencedoras do Torneio Nacional Seven´s novamente (2002/03). A nível internacional ganhavam à Selecção de Marrocos em Rabat e classificavam-se em 5º lugar no Torneio Seven´s de Amesterdão feitos importantes para o palmarés da equipa e do nosso emblema

   Em 2003/04, ainda sem “os charruas” em competição, apesar da tentativa, “as charruas” voltavam a dar mais alegrias à Escola Agrária, ao sagrarem-se Vice-Campeãs Nacionais e vencedoras do Torneio Nacional Seven´s na mesma época. Em digressão por Espanha conseguiam ser finalistas do Torneio de Seven´s de Ourense.

  A presença assídua de atletas femininas nas Selecções Nacionais e do convite feito ao treinador, João Alberty, para dirigir a Selecção Nacional feminina, foi durante anos um prémio à qualidade do trabalho desenvolvido na Agrária de Coimbra.

  A formação dos elementos das equipas da Agrária sempre foi aposta do Núcleo, pelo que vários atletas foram ao longo dos anos realizando os seus cursos de treinador, dispondo o clube actualmente de mais de 15 treinadores qualificados pela Federação Portuguesa de Rugby. A formação de treinadores e directores continua a ser uma das fortes apostas da direcção do clube.

A época 2004/2005 seria o início de muitas alegrias para os que lutam há muitos anos pelo Rugby na Agrária de Coimbra, através da participação de equipa feminina e masculina nas competições Nacionais; a criação do site oficial, pelas mãos do incansável Pedro Midões; e a autorização, concedida recentemente pela Presidência do Instituto Politécnico de Coimbra para a construção da sede social do Núcleo de Rugby.

  Porque os Agrários, os verdadeiros, não gostam de estar longe do que acreditam, na época 2004/05, voltaram a acreditar e formaram novamente a equipa sénior masculina e entraram no Campeonato Nacional 2ª divisão, pelas mãos de um grande reforço, o Internacional Português, Alcino Silva, que treinou, apoiou, mimou, ouviu tudo e todos e levou até ao fim aquilo a que se propôs: manter a equipa em competição até ao final da época. Parabéns ao “Mr.” Alcino e a todos os que com ele estiveram nessa batalha.

  A equipa feminina manteve durante a época 2004/05 a mesma estrutura técnica, e apesar da entrada de muitas atletas novas, voltaria a vencer ambas as competições Nacionais (Campeonato XII e VII) e foram finalistas da 1ª Taça de Portugal feminina. Notável, no mínimo...

  A época 2005/06 seria o crescente das equipas seniores com a feminina a ser novamente campeã e a equipa masculina a ser impedida de ir às finais absolutas por confusões federativas, só possíveis em Portugal. Mas nem por isso deixámos de alcançar por mérito próprio o 3º lugar e alcançar aquela que seria a melhor classificação da equipa sénior desde o título nacional de 1975. A somar a este feito a conquista da Taça da Federação.